Sem Travessão é o manual de linguagem da marca. O documento que diz quem está falando ali, o que essa voz defende e com que palavras.
Com estúdio eu trabalho em parceria: vocês resolvem como a marca aparece, eu resolvo o que ela diz. Entrego a tese, o manifesto, o tom de voz e o guia que a equipe do cliente usa depois que todo mundo sai.
Não faço identidade visual, não concorro com o estúdio e não procuro o cliente depois que o projeto acaba.
Mandar um briefing Respondo com escopo, prazo e preço
Pati Pavoni, roteirista e criadora de conteúdo, em Curitiba.
Tem sempre alguém falando no lugar do que a marca deveria dizer.
Em prosa brasileira, o travessão é o sinal que abre a fala de alguém. Ele avisa que a voz mudou, e que agora é outra pessoa falando.
Na comunicação da maioria das marcas, essa outra pessoa nunca é a marca. Às vezes é o dono do negócio, falando do jeito dele. Às vezes é um funcionário que recebeu a tarefa sem receber a orientação. Às vezes é um social media que entrou sem direção nenhuma. Às vezes é uma inteligência artificial, com excesso de travessão.
O travessão é também o sinal do entredito, do aparte, daquilo que entra no meio da frase sem fazer parte dela. E de uns anos pra cá ele ganhou mais um aviso: a máquina usa tanto travessão que hoje ele denuncia o texto que ninguém escreveu de verdade.
Sem travessão é o contraponto dos três. Nada dito pela metade, nada artificial, e a fala na mão de quem é dona dela.
Pra isso funcionar, a marca precisa saber quem ela é: qual é a personalidade dela, pra onde ela quer ir e como ela quer se colocar no mundo. É isso que eu leio antes de escrever qualquer linha, e é de onde sai todo o resto.
Acontece no fim de quase todo projeto de identidade. O logo está resolvido, a paleta está resolvida, o manual está diagramado, e sobra um capítulo de linguagem que ninguém foi contratado pra escrever.
O que vem depois costuma ser uma de duas coisas. Ou o próprio cliente escreve, e sai “soluções sob medida com excelência no atendimento”. Ou entra um redator de performance, que escreve bem pra vender, só que vender e ter voz são trabalhos diferentes.
Nos dois casos quem perde é o trabalho de vocês. Seis meses depois a marca está falando igual a todas as outras, e o design que vocês fizeram parece menor do que é.
O documento que eu escrevoO manual de linguagem
Dá pra contratar o pacote inteiro ou só a parte que está faltando no projeto.
Antes de escrever, eu leio: quem é a marca, de onde ela vem, pra onde quer ir e como se coloca no mundo. É daqui que sai todo o resto, e é o que impede o texto de virar chute bonito.
A ideia que a marca defende, e o lugar que ela pode ocupar porque os concorrentes não ocupam.
O texto que a marca usa em apresentação, em treinamento e na abertura do site. Em primeira pessoa quando a marca aguenta falar assim.
Como a marca fala, com exemplo de antes e depois, e regra de vocabulário: as palavras que são dela, e as situações em que ela não usa nenhuma delas.
O documento que fica. Escrito pra ser usado por quem ficou, e não pra ser bonito em PDF.
Site, apresentação, bio, assinatura, e-mail. Guia vale pouco se ninguém viu ele aplicado em lugar nenhum.
Me manda o briefing e a data da apresentação.
Mandar um briefingTem projeto que chega por estúdio, e não pela marca. O estúdio resolve como ela aparece, e me chama pra resolver o que ela diz.
Entro depois do briefing e da pesquisa, ou junto com eles, do jeito que vocês trabalham. Não peço pra ninguém mudar o processo da casa.
O manual é de vocês. O capítulo de linguagem chega pronto pra entrar nele, no template de vocês, com a diagramação de vocês.
Assinatura conjunta ou white label, vocês escolhem. Se o cliente não precisa saber que eu existo, ele não vai saber.
Eu apresento junto com vocês, ou vocês apresentam e eu nem apareço. Também é escolha de vocês.
Não vendo identidade visual, não vendo social media pro cliente de vocês e não procuro ele depois que o projeto acaba.
Me digam a data da apresentação e eu digo se dá, antes de aceitar. Prefiro recusar do que atrasar a entrega de vocês.
No rebranding da Eixo Federal, conduzido pelo Studio Imane, escrevi o manifesto em primeira pessoa e o guia de tom de voz ao lado de Ulisses Dias e Gedeon Ferreira. A empresa se chamava SERVI, não conseguia registrar o próprio nome, e trabalha com educação pública captando recursos para municípios.
O manifesto é a marca falando sozinha, do lado de quem já esteve do outro lado do balcão. E a regra de vocabulário existe pra que essa proximidade não vire descuido numa marca que conversa com prefeitura.
O projeto foi publicado no Abduzeedo, um dos maiores sites de design e branding do mundo, com a identidade verbal creditada no texto.
Ver a publicação
A assinatura da marcaVou deixar tudo no eixo
Em vez de “prestamos serviços”,
“conseguimos recursos para escolas”.
O “eita” é da marca. Mas só quando a Eixo resolve.
Nunca quando ela é parte do problema.



Páginas do manual de identidade verbal que eu escrevi
Nunesfarma · direto com a marca
Distribuidora farmacêutica de 1980 que nas redes era institucional e distante. Para uma empresa que cuida de saúde, ser próxima é pré-requisito, então a decisão foi pessoalizar a marca.
Ela ganhou nome, imagem e voz: virou a Nesh, nome tirado do histórico indiano da própria empresa, e passou a falar em primeira pessoa. O manifesto que escrevi está no ar até hoje, e foi em cima dessa voz que o site, a identidade e a linguagem inteira foram construídos.
A marca se apresentandoPrazer, eu sou a Nesh
O manifesto da Nesh em vídeo
Mudança de nome e de tese. Deixou de ser Templo da Beleza e passou a vender o ficar, e não o resultado. O manifesto descreve a casa pelos detalhes que já existiam nela.
Advogada sem perfil, sem assunto e com medo de aparecer. O território saiu da história de família dela, e cabe em duas linhas de bio.
O manual de marca responde
Qual é o logo e o que não se pode fazer com ele. Quais são as cores e onde cada uma entra. Qual é a tipografia, qual o espaço mínimo em volta da assinatura, como a marca se comporta num fundo escuro.
É um documento sobre aparecer, e normalmente é o único que o cliente contrata.
O manual de linguagem responde
Quem está falando ali. O que essa voz defende e o que ela não compra. Como ela diz sim e como ela diz não. Quais palavras são dela, quais ela nunca usa, e em que situação ela abre mão das próprias palavras.
E a parte que ninguém escreve e todo cliente precisa: como a marca fala quando a notícia é ruim.
Por projeto, a partir do escopo. Não tenho tabela pronta porque um manifesto sozinho e identidade verbal inteira com aplicação não são o mesmo trabalho, nem de longe o mesmo prazo.
Me manda o briefing e a data da apresentação. Eu devolvo o número, o que entra, o que não entra e em quanto tempo.
O jeito que eu trabalhoEscopo fechado, preço fechado
Se o projeto crescer no meio do caminho, eu aviso antes de escrever, e não depois de entregar.
Os dois. Tem projeto que chega pela marca e tem projeto que chega pelo estúdio que está cuidando da identidade visual dela. No segundo caso eu entro como parte do time do estúdio, no processo e no formato que vocês já usam.
Dá. Leitura, tese e território, manifesto, tom de voz, guia e aplicação são etapas separáveis. O orçamento é montado em cima do que falta no projeto, e não em cima de um pacote fechado.
Como vocês preferirem. Assinatura conjunta ou white label. Se o cliente não precisa saber que eu existo, ele não vai saber.
Não. Eu não vendo identidade visual, não vendo gestão de redes pro cliente de vocês e não procuro ele depois. É a primeira coisa que entra em contrato.
Redação resolve uma peça: um anúncio, um e-mail, uma página. Identidade verbal resolve o critério que faz todas as peças seguintes parecerem a mesma marca, inclusive as que vão ser escritas por outra pessoa depois que eu sair.
Por isso o entregável central é um guia, e não um texto.
Quem está falando, o que essa voz defende e o que ela não compra, como ela diz sim e como ela diz não, quais palavras são dela e quais ela nunca usa, exemplos de antes e depois, e como a marca se comporta quando a notícia é ruim.
Depende do escopo, e eu digo se dá antes de aceitar. Me manda o briefing e a data da apresentação, e eu respondo com prazo, preço e o que entra.
Por projeto, a partir do escopo. Não tenho tabela porque um manifesto sozinho e identidade verbal inteira com aplicação não são o mesmo trabalho nem o mesmo prazo. Escopo fechado, preço fechado: se o projeto crescer no meio do caminho, eu aviso antes de escrever.
Me manda o briefing, a fase em que está e a data da apresentação. Eu respondo com escopo e preço.
Mandar o briefingDá pra falar de um projeto que ainda nem foi aprovado, pra saber se vale incluir a linguagem na proposta.
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